domingo, 11 de setembro de 2011

Quando começa uma relação....



                    Não foi uma, nem duas, as vezes que me perguntei “por que” ao começar uma relação, não nos apresentamos como somos, na nossa verdadeira essência. Talvez, leia-se, quase sempre, o clima da paixão sufoque nosso verdadeiro eu, por desejarmos ser aquilo que o outro possivelmente projete em nós...Mas daí negarmos  a nós mesmos é,  para mim,  nosso maior erro.
                  Tenho “dedo podre” nas minhas escolhas. Incorpora em mim a psiquiatra que vai “transformar” o querido num ser que projetei lá na minha adolescência e que insiste, ah, e como insiste,  até os dias de hoje...E sei que não sou só eu...Somos um batalhão de mulheres que deveriam cortar este dedo e jogar fora...Ou não!
             Não consigo negar! Gosto de cafajeste! Porque lá no meu íntimo, sou cafajeste, também! E falem aí, vocês, mulheres... Vão me dizer que gostam do cara que abre a porta de carro, que é gentil a todo o momento, que pede licença, que te liga na hora que estás no banheiro, curtindo o “um ou o dois”...ou quando estás naquele soninho, depois da noitada pra desejar bom dia...Quem te dá mais tesão? Este ou o cafajeste que te levou às estrelas , cujo número do celular fica na agenda e tu espera a ligação de minuto a minuto? E a ligação acontece... E tu vibra e pula de alegria...Começou a relação...E junto a  vontade de organizar, transformar, e fazer tudo errado...
             Não aceitamos atrasos, o trabalho que tomou mais tempo, o trânsito... Fazemos beicinho, isso no início, porque depois é um Deus-nos-acuda....
Não seria fantástico, se na hora que conhecêssemos alguém, falássemos:     - Oi, sou fulana de tal, não sou de ninguém, gosto disso e daquilo e ouvíssemos a verdade nua e crua dessa pessoa, também? Não. Sei que vocês responderam, NÃO! Começam as juras secretas, os pactos todos feitos sobre a areia movediça da paixão.
                Eu sempre soube como eram os homens com quem me relacionei. Casei duas vezes e tive outros relacionamentos, todos escolhidos a dedo...podre.
Se os homens gostam de peitos e bundas,  nós mulheres gostamos do “cafajeste”.
Volto para o momento da apresentação. Isso é o que deveríamos dizer: - Já te conheço, levantei tua ficha, sei que é um cachorro sem dono e não quero mudar isso e nem quero que tu te transformes num acomodado e barrigudo, porque te troco pelo primeiro homem “cachorro” que encontrar.
                    Mas e aí? O que vocês homens iriam pensar ou dizer para nós?
Também poderíamos dizer “-Só quero transar, sem pensar num próximo encontro, pode ser? Sou livre e não quero compromisso.”
                  Acontece que mora em nós um bichinho, que foi colocado  durante a nossa formação. E ele grita! Casar! Casar! Casar! Mas é só isso. Não grita: Rotina, insatisfação, falta de tesão...Mas todo tempo temos consciência disso. Afirmo com todas as letras que a insatisfação começa quando começam as relações, já no primeiro encontro.
                Transformar alguém, naquilo que queremos, é a maior burrice que podemos cometer. E nem é aquilo que queremos, mas sim, o que foi rotulado, padronizado, pra se conceituar no que seria uma “boa relação”.
               Estamos vivendo outra época, eu sei. As mulheres estão mais livres dos velhos preconceitos (bichinhos) e estão se dando ao direito de ter prazer pelo prazer. Mas ainda procuram o velho e bom príncipe, montado naquele pobre cavalo branco, que vai tornar a vida uma chatice sem igual....
                   Saímos pra noite com a intenção de dar muita risada... Mas basta um único olhar e a máscara cobre nosso rosto e alma, e o jogo começa... Porque toda relação é um jogo, resta saber quem ganha quem perde. Só o tempo...
                 Custei a admitir que gosto de cafajestes. E afirmo, por experiência, que eles casam e até tentam deixar de ser o que sempre foram. Mas chega um momento que não conseguem mais mentir pra si mesmos e saem por aí, distribuindo sonhos e carinhos... Que sufoco! 

               Muitas mulheres aqui vão discordar, e vão tentar me convencer que não é nada disso.
                 Mas procurem analisar. Se nos relacionamos com estes homens, é por total afinidade. Só que eles têm a coragem de ser o que são. E nós mentimos até pra nós mesmas, fazendo de conta que somos a mulher ideal, aquela que não trai (só em pensamento) e graças a Deus ainda não descobriram um jeito de lê-lo, mas que morre de vontade de dar uma com o amigo, com aquele cara que encontrou na porta do cinema, ou que palestrou num determinado seminário, que sentou num banquinho de bar e em tantos outros encontros de olhares que disseram tudo e não fizeram nada.
                Pena que não me dei o direito de ser e fazer o que eu sempre quis. Em nome de uma “história de amor”. Não tentem ler aqui amargura, mágoa ou qualquer sentimento semelhante. É apenas a leitura de vida que fiz.  Porque com certeza, teria escrito uma história bem diferente.
Zane Guimarães

5 comentários:

Ana Paula Pereira disse...

A euforia da paixão.. do começo do relacionamento com certezaa não nos faz enxergar o que a pessoa de verdade.. e em determinados momentos de nossa vida o cafajeste com certeza , ganha o nosso coraçãao...e digo uma coisa... mtas vzs sabemos quem é a pessoa.. e na hra da euforia.. da paxão.. não queremos é enxergar.. não é o amor que cega e sim a paixãao.. e sabe que eu acho q ae q tá a graça.. talvez se soubéssemos.. não teríamos tanto aprendizado nessa vida com tudo isso e com certeza não viveríamos tantas emoçoões.. daquelas boooas que um dia conatermos pros nossos netos.. Acredito que um relacionamento não dá errado.. em algum momento ele deu certo e alguma coisa podemos tirar.. isso é fato.. Ameeei o texto Zane.. beeijoos

Zane e Dáda Guimarães disse...

Valeu, Lindona! Grande verdade tu disse...Aprendemos com tudo. O bom é isso...Saber tirar proveito do foi bom e também, do que foi ruim...
bjooooooo

Aline Ilha disse...

Ó-T-I-M-O, Zane! Não poderia esperar menos!

Anônimo disse...

Concordo plenamente contigo! o que não é novidade para ti, tenho certeza. Por isso, adoro quando nos encontramos, conversamos, etc, etc.
Precisamos ter a humildade e coragem para viver as experiencias, sem projetar. Apenas aprender delas, usufruir seus momentos, que não sabemos do amanhã!

Zane e Dáda Guimarães disse...

Paulo
VIVER...é só isso que precisamos fazer. Sem medos. Soltando as amarras que nós mesmos nos prendemos. Com coragem pra tirar de cada experiência sempre o melhor...Pra crescer como ser humano e viver sem hipocrisia! Como tu mesmo disse: O amanhã! Quems sabe dele????